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Sobre limpar a poeira do coração

 


Hoje, quase dois anos depois da defesa da minha dissertação de mestrado, recebi uma mensagem do meu orientador e o coração acelerado e a falta de ar vieram em anexo. Não era nada importante, a mensagem não era urgente, eu não estava sendo informada de algum prazo que deveria cumprir ou algo do tipo. Mesmo assim, desde a notificação no celular, a ansiedade se fez presente e ficou.

Passar o resto do dia com essa visitante conhecida, porém inesperada fez a minha mente divagar e divagar no loop infinito das minhas digressões, talvez a lua estivesse em peixes. Entre um pensamento e outro, lembrei de uma conversa que tive colega de mestrado que padecia das mesmas agonias que eu. Naquele dia em questão, em meio a toda pressão dos prazos finais tomávamos um café e nos questionávamos: será que eles (os professores nesse caso) sabem do efeito emocional que causam na gente? Na época respondi que não e hoje meses e meses depois ainda sustento a mesma resposta e vou além - não acho que façam por mal, pelo menos a maioria não o faz. É o tal do ambiente acadêmico. É como as coisas sempre funcionaram e todos nós em maior ou menor grau repetimos padrões. Mas essa nem foi a razão que me fez revirar tais lembranças. Eu me assustei, confesso, com o fato de ainda ser possível me sentir assim tanto tempo depois, que a ansiedade estivesse ali só a espera de um convite para entrar.  

E a sua presença foi como entrar naquele quartinho da bagunça que a gente vive adiando a organização. O meu bazar de sentimentos e sonhos extraviados continha sim algumas coisas relacionadas a esse período. A minha falta de orgulho pelo trabalho que conclui, o não conseguir abrir o arquivo da dissertação por mais de um ano depois de finalizar, o evitar de todas as formas contato com a maioria das pessoas que fizeram parte daquele momento. Tudo ainda estava lá adicionando poeira e deixando o meu coração arenoso, pesado.

Seria ótimo concluir dizendo que fiz uma faxina sentimental daquelas e que agora estou livre da poeira e de tais gatilhos. Mas não sei ao certo se foi assim. Talvez eu esteja começando a limpeza, talvez ela dure um pouco mais do que o esperado, talvez eu realmente precise de tempo para ser minimalista e finalmente deixar ir a porção de areia que a vida acadêmica deixou aqui. Tudo bem, não existem prazos nem pressão externa ou interna dessa vez.


Obrigada por estar aqui!


Imagem: arquivo pessoal

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